Um relato técnico sobre os impactos causados pela Covid-19 nos setor químico e farmacêutico.

Como pode ser verificado no site do Banco Central brasileiro, em 14 de maio de 2020, moeda americana atingiu o maior valor desde 1994 fechando a R$ 5,94, o que significa um aumento de 48% desde o início de 2020. Segundo o Jornal Nexo, parte deste crescimento pode ser explicado pelo efeito da pandemia, conforme demonstrado no quadro 1 (Relatório Jornal NEXO).

QUADRO 1 – Cotação Nominal do Dólar no ano de 2020.

No Brasil, assim como no resto do mundo, grande parte da produção de química de base, insumos necessários para a produção de medicamentos, vem de países como China e Índia. Segundo a análise do professor Eliezer Jesus de Lacerda Barreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na palestra que proferiu no encontro do Ciclo de Conferências do Ano Internacional da Química 2011 sobre química medicinal realizado em 8 de junho de 2011, no auditório da FAPESP, 90% dos princípios ativos para remédios vem desses dois países.

Dessa forma, além da alta dependência da cotação para importação de IFA- Insumo Farmacêutico Ativo, para o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, o risco de desabastecimento é real, uma vez que, com a Indica e China em redução de jornada de trabalho devido ao isolamento social, todos os preços de frete subiram com a pandemia. Segundo Mussolini, um dos associados do Sindusfarma chegou a pagar 100% a mais para conseguir embarcar os insumos. (RELATORIO SEMANAL SINDUSFARMA)

Uma saída para minimizar este impacto financeiro, seria o reajuste de preços permitidos uma vez por ano no mês de abril. Entretanto, buscando minimizar o impacto da crise, em 31 de março de 2020, o presidente Jair Bolsonaro anunciou o congelamento de aumento de preços por 2 meses, sem consultar órgãos atuantes deste setor, como por exemplo o SINDUSFARMA.

CONTEXTO INVESTIGADO

Entre 2000 e 2013, os medicamentos foram responsáveis por 19% a 22,4% das despesas com saúde no Brasil. Pagamentos diretos do bolso feitos pelas famílias financiaram mais de 80% desses gastos1, sendo a população de menor renda proporcionalmente mais onerada2. Essa realidade contrasta com a de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), onde os governos financiam mais de 60% dos medicamentos.

Preços de medicamentos mais altos são considerados grandes obstáculos ao acesso a saúde, independentemente do grau de desenvolvimento de cada país. Nesse sentido, há um consenso de que a regulação e o controle de preços dos medicamentos são dimensões-chave para a sustentabilidade dos sistemas de saúde. Nos últimos 50 anos, o Brasil adotou diversos modelos de controle de preços de medicamentos (ANVISA). Entre 1968 e 1990, vigia um controle direto efetuado pelo extinto Conselho Interministerial de Preços (CIP), órgão do Ministério da Fazenda.

Os planos Collor I e II instituíram, entre 1990 e 1992, o controle direto de preços. Do final da era Collor até 2000, os preços foram liberados, passando a ser apenas acompanhados por órgãos governamentais. Na prática, entre 1980 e 2001, os preços tiveram aumentos de 89% relativamente ao valor do dólar, e de 541% na correção pela inflação (Bônus do Tesouro Nacional).

Um aumento de 267% foi registrado de 1987 e 1996. É compreensível, portanto, que um dos destaques na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre medicamentos, em meados de 20007 tenha sido as críticas aos ‘aumentos abusivos’ nos preços desses produtos. A CPI culminou na implantação, a partir de 2003, de um marco regulatório econômico para o mercado farmacêutico, que permanece essencialmente inalterado até os dias atuais.

Atualmente, o reajuste de preços no Brasil é tradicionalmente liberado anualmente pela CMED (Camara de Regulamentação de Mercado de Medicamentos) órgão que é composto pela Anvisa, Ministério da Saúde, Casa Civil, e Ministério da Economia. (Portal CMED).

Para que um medicamento possa ser comercializado é preciso antes um registro sanitário na ANVISA, e uma posterior autorização de preço máximo ao consumidor cedida pela CMED. Os reajustes autorizados anualmente por este órgão seguem uma formula pré-estabelecida aprovada por Lei, e que leva em conta a inflação.

Uma vez introduzidos no mercado, os medicamentos passam a ter seus preços máximos reajustados anualmente segundo o modelo teto de preços (price cap). O fabricante/fornecedor é livre para alterar seus preços, contanto que não ultrapassem o teto permitido pela regulação. A fórmula de reajuste máximo permitido inclui um índice geral de inflação da economia, sujeito a descontos ou acréscimos que variam em função de níveis de concorrência do segmento de mercado no qual o medicamento se insere.

A fórmula que define a Variação Percentual do Preço (VPP) anual dos medicamentos é apresentada na Lei nº 10.742/200326 como: VPP=IPCA-X+Z.

A correção básica pelo IPCA é ajustada segundo os fatores X (Fator de produtividade da indústria farmacêutica), Y (Fator de ajuste relativo entre setores) e Z (Fator de ajuste relativo intrassetor).

Conforme demonstrado no site da CMED, o Fator X busca captar mudanças nas condições de produção dos medicamentos que gerem redução dos custos, o que, em tese, deveria traduzir-se em uma redução dos preços no mercado. Esse é o motivo pelo qual aparece como ‘deflator’ na fórmula.

O Fator Z aloca os medicamentos em três níveis de concentração do mercado, atribuindo a eles autorizações de reajuste distintas, referidas a ficarem ou não obrigadas a descontarem o Fator X, conforme figura a seguir.

Fonte: autores

A título de comparação, no ano de 2019, a CMED autorizou um reajuste de 4,33% nos medicamentos (Portal CMED), para este ano, estava previsto um reajuste em média de 5,19% para abril de 2020, que acabou sendo congelado em virtude da pandemia (Diário Oficial da União).

Portanto, adiciona-se a este contexto, do aumento do custo de insumos em cerca de 48% (variação do dólar), como também, o fato de que o reajuste anual não permitiu a recuperação de perdas do cambio, e finalmente o fato de que a rota de produção dos medicamentos é extremamente engessada, e uma alteração de fornecedor na cadeia produtiva que é previamente aprovada e submetida a ANVISA com mínimo de 6 meses de antecedência.

DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO PROBLEMA

Para Dias et al (2019), caberia realinhar a fórmula dos tetos de preços à realidade de mercado, de forma a garantir maior poder ao consumidor em virtude da concorrência direta. Os esforços engendrados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nesse sentido ainda são largamente insuficientes, e sem rotas alternativas na cadeia de produção, pressionada pelo aumento dos insumos farmacêuticos, e sem a opção nas correções dos preços, a indústria farmacêutica viu sua margem de operações diminuir consideravelmente em relação a sua média histórica.

Um estudo realizado pela PwC indica que haverá um movimento maior de consolidação no setor farmacêutico no Brasil. Segundo Eliane Kihara, sócia da PwC Brasil e líder consultora da área farmacêutica, a pressão de custos e perda de margem podem ser um fator preponderante para aumentar as fusões e aquisições no mercado brasileiro.

A pressão de custos, segundo Eliane, vem da dependência das companhias brasileiras de insumos importados. “China e Índia são os grandes fornecedores de matérias-primas para a indústria farmacêutica mundial. No Brasil, além dessa dependência, as empresas sofrem com a variação cambial. Isso torna as despesas muito maiores e consome as margens”, afirmou Eliane ao CDPI FARMA.

Um recente estudo publicado pela consultoria IQVIA- IMS fez projeções importantes sobre a recuperação do setor farmacêutico pós o impacto da corona-crise. Para a IQVIA, o mercado brasileiro farmacêutico crescerá cerca de 10% em 2021, e quando comparado o crescimento acumulado de Janeiro a Julho (Year to Date – YTD) versus o mesmo período de 2019, a taxa brasileira está entre as mais altas do mundo, conforme apontado no quadro 2.

QUADRO 2: taxa de crescimento no varejo farmacêutico brasileiro. (YTD- Jul 2020)

Paralelamente, os autores buscaram avaliar uma indústria do setor químico, para entender se o prognostico se repete. Para este exercício, foi usado a BASF como parâmetro de indicadores financeiros.

ANÁLISE FINANCEIRA DO GRUPO BASF, UM PARALELO NO SETOR QUÍMICO

Segundo comunicado à impressa emitido em 29.08.2020, a BASF informa que conforme esperado, os efeitos econômicos da pandemia do coronavírus tiveram um impacto muito mais forte no segundo trimestre de 2020 do que no primeiro trimestre deste ano. As indústrias clientes foram afetadas em diferentes graus: A BASF foi particularmente afetada negativamente pelo colapso na demanda da indústria automotiva, enquanto a demanda na indústria de detergentes, de limpeza e de alimentos se manteve estável. A BASF conseguiu continuar a produção em todos os locais importantes do mundo.

“A pandemia do coronavírus ainda é um enorme desafio para todos nós”, disse o Dr. Martin Brudermüller, Presidente do Conselho de Administração Executivo da BASF, que apresentou os números do segundo trimestre juntamente com o Diretor Executivo Financeiro, Dr. Hans-Ulrich Engel. Brudermüller, que também vê oportunidades: “Esta situação é um catalisador para mudanças e uma oportunidade para fazer muitas coisas de forma diferente. Na BASF, nós nos adaptamos rapidamente a novos processos. Todos estão muito abertos à comunicação virtual, internamente e com os nossos clientes”. De acordo com o CEO, a BASF é capaz, em tempos como este, de construir, sobre os seus muitos pontos fortes: funcionários flexíveis e motivados, um portfólio diversificado e finanças sólidas. Dado o alto nível de incerteza e a baixa visibilidade em torno da evolução econômica, a BASF ainda não faz nenhuma declaração concreta sobre a evolução das vendas e ganhos para o ano integral de 2020. Para o terceiro trimestre, a BASF não espera que o EBIT antes dos itens especiais melhore significativamente em comparação com o segundo trimestre de 2020, em parte devido à demanda geralmente menor em agosto e à sazonalidade do negócio de Soluções Agrícolas.

Desempenho econômico do Grupo BASF no segundo trimestre de 2020

A renda operacional (EBIT) antes dos itens especiais foi de €226 milhões, 77% abaixo do nível do segundo trimestre de 2019. Com exceção de Nutrição & Cuidados e Outros, que aumentaram os ganhos, e Soluções Agrícolas, onde os ganhos quase igualaram o nível do trimestre do ano anterior, todos os outros segmentos registraram ganhos menores. Esse foi o resultado da queda acentuada da demanda na maioria das indústrias clientes da BASF. Vale destacar que assim como ocorreu no setor farmacêutico, os segmentos Químicos e de Materiais foram responsáveis por 70% do declínio dos ganhos.

As vendas diminuíram €1.798 milhões em comparação com o segundo trimestre de 2019, para €12.680 milhões. A evolução das vendas deveu-se principalmente aos menores volumes de vendas nos segmentos de Tecnologias de Superfície, Materiais e Soluções Industriais e Outros.

O crescimento dos volumes nos segmentos de Químicos, Nutrição e Cuidados e Soluções para Agricultura não foi capaz de compensar isso. Os efeitos negativos do câmbio, principalmente no segmento de Soluções para Agricultura, também contribuíram para a queda nas vendas. Além disso, as vendas foram impactadas negativamente por um nível de preço ligeiramente inferior.

Os preços mais altos no segmento de Tecnologias de Superfície não compensaram completamente o nível de preços mais baixo em Produtos Químicos, Materiais, Soluções Industriais, Outros e Nutrição e Cuidados. Os efeitos do portfólio tiveram um impacto compensatório, especialmente no segmento de Materiais com a aquisição do negócio integrado de poliamida da Solvay.

As vendas no segmento Químico atingiram €1.8 bilhão. As vendas diminuíram consideravelmente em comparação com o segundo trimestre de 2019 em ambas as divisões, mas especialmente na divisão Petroquímica. A diminuição das vendas foi principalmente resultado de preços significativamente mais baixos em ambas as divisões. Na divisão Petroquímica, a diminuição dos preços deveu-se em grande parte a uma maior disponibilidade de produtos no mercado e a preços mais baixos das matérias-primas. Preços mais baixos na de divisão Intermediários refletiram principalmente na continuação da fraca demanda. Em contrapartida, os volumes de vendas aumentaram no segmento Químico, graças à evolução positiva de volumes na divisão Petroquímica.

No segmento de Materiais, as vendas de €2.1 bilhões foram consideravelmente inferiores ao nível do segundo trimestre de 2019. O desenvolvimento das vendas foi impulsionado principalmente pelos volumes significativamente menores em ambas as divisões devido aos efeitos da pandemia do coronavírus, especialmente na divisão de Materiais de Desempenho. A diminuição do volume de vendas aqui foi em grande parte atribuível a uma demanda muito mais fraca da indústria automotiva. Os volumes também diminuíram nas indústrias de bens de consumo e de construção.

No segmento de Soluções Industriais, as vendas em ambas as divisões diminuíram consideravelmente em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, para €1.8 bilhão no total. O decréscimo deveu-se principalmente a volumes significativamente mais baixos em ambas as divisões. O desenvolvimento de volumes de vendas na divisão de Desempenho de Químicos foi negativamente impactado pela fraca demanda, especialmente nos negócios de soluções em combustíveis e lubrificantes e de produtos químicos para campos petrolíferos. Na divisão de Dispersões & Pigmentos, os volumes mais elevados de semicondutores no negócio de materiais eletrônicos não conseguiram compensar os volumes mais baixos em todas as outras áreas de negócio.

Em comparação com o segundo trimestre de 2019, a BASF aumentou ligeiramente as vendas no segmento de Nutrição & Cuidados para €1.6 bilhão. Isto foi impulsionado pelo crescimento considerável das vendas na divisão de Nutrição & Saúde, enquanto as vendas na divisão de Produtos Químicos de Cuidados estavam no mesmo nível do segundo trimestre do ano anterior.

O ligeiro aumento das vendas deveu-se principalmente a volumes mais elevados em ambas as divisões. O crescimento significativo dos volumes na divisão de Nutrição & Saúde foi principalmente atribuível aos negócios de ingredientes aromáticos, farmacêuticos e nutrição humana.

BASF Half-Year Financial Report 2020

Q2 EBITDA before special items (Million €)

2020 2019

EBIT 59 507

– Special items (167) (488)

EBIT before special items 226 995

+ Depreciation and amortizationa 995 894

+ Impairments and reversals of impairments on property, plant and equipment

and intangible assetsa 8 (4)

Depreciation, amortization, impairments and reversals of impairments

on property, plant and equipment and intangible assets 1.003 890

EBITDA before special items 1.229 1.885

a Excluding depreciation, amortization, impairments and reversals of impairments attributable to the discontinued construction chemicals business in 2019

BASF Half-Year Financial Report 2020

Q2 adjusted earnings per share (Million €)

2020 2019

Income after taxes (874) 5.929

– Special itemsa (986) (488)

+ Amortization, impairments and reversals of impairments

on intangible assets 169 160

– Amortization, impairments and reversals of impairments

on intangible assets contained in special items (24) −

– Adjustments to income taxes 113 179

– Adjustments to income after taxes from discontinued operations (37) 5.662

Adjusted income after taxes 229 736

– Adjusted noncontrolling interests 4 (23)

Adjusted net income 225 759

Weighted average number of outstanding shares in thousands 918.479 918.479

Adjusted earnings per share € 0,25 0,83

a Special items in the second quarter of 2020 contained the €819 million impairment at Wintershall Dea, which is included in net income from shareholdings.

O lucro líquido diminuiu para menos €878 milhões, em comparação com €5.954 milhões no segundo trimestre de 2019. Como resultado, o lucro por ação caiu para menos €0,95 no segundo trimestre de 2020, após €6,48 no período do ano anterior. O lucro por ação ajustado para itens especiais e amortização de ativos intangíveis totalizou €0,25 (2º trimestre de 2019: €0,83).

BASF Half-Year Financial Report 2020

Q2 free cash flow (Million €)

2020 2019

Cash flows from operating activities 2.242 1.946

– Payments made for property, plant and equipment and intangible assets 726 981

Free cash flow 1.516 965

Valuation da BASF usando Black & Scholes

Usando informações do valor das ação disponibilizado pela BASF DE, consultando o beta do setor de químicos e adotando a projeção de taxa livre de risco fornecida pelo Banco Central Europeu, os autores aplicaram o modelo Black and Scholes de modo a entender de que forma os impactos causados pela pandemia afetariam positiva ou negativamente a decisão do investidor.

Histórico de Ações

Figura 1: Posição da ação em 21/08/2020.

Figura 2: Posição da ação em 21/08/2019.

Figura 3: Posição da maior alta da ação em 19/01/2018.

Com base nestas informações, simulados o cenário hipotético de um investidor avaliando a opção de compra de uma ação da BASF DE na bolsa de Frankfurt, considerando as seguintes condições.

(S) Preço da ação: €49.57

(K) Preço do exercício da ação: €58.99

(V) Volatilidade da ação: 92% ao ano

(T) Intervalo de tempo até a expiração: 5 anos

(r) A taxa livre de risco é 0% ao ano (ECB interest rate)

Modelo de Precificação de Opções de Black & Scholes

Entrada Passo Intermediário

S €49,57 d1 0,9913

K €58,99 d2 -1,1535

V 92%

r 0% Preço da Opção

T 5 Prêmio da Compra (Call) €34,26

Prêmio do Venda (Put) €43,68

Operações de Call e Put

Para entender melhor o quadro acima e a conclusão da análise, é fundamental entender o conceito sobre as operações de call e put.

No mercado de ações, quem realiza operações de “calls” ou “puts” tem em mãos um direito (o direito de optar por comprar ou vender uma ação pelo preço previamente estabelecido);

Quem vende “calls” ou “puts” tem em mãos uma obrigação (a obrigação de entregar as ações pelo preço previamente estabelecido.

Conclusão da análise de empresa representante do setor Químico:

No caso da opção de compra (call), o investidor pagará €34,26 para ter o direito de comprar a ação a €58,99. Caso exerça a opção, seu desembolso total será de €93,25. Portanto, a ação no futuro deve valer mais do que €93,25 para que a operação seja vantajosa.

No caso de opção de venda (put), o investidor pagará €43,48 para ter o direito de vender a ação a €58,99. Caso exerça a opção, seu lucro será́ de €15,41. Portanto, a ação deve valer não mais do que €15,31 no futuro para que a operação seja vantajosa.

Discussão e Conclusão

Os autores entendem que existe uma forte ligação da indústria química e farmacêutica, dado que elas se entrelaçam na rota produtiva, dessa forma, foi observado que há uma expectativa positiva de retomada da economia, haja visto a projeção mais recente de uma consultoria do segmento farmacêutico, IQVIA-IMS. Os autores consideram relevante que empresas farmacêuticas e químicas, a exemplo da BASF, avaliem alternativas que mitiguem o impacto da variação cambial, além de iniciativas que permitam reagir rapidamente à baixa demanda registrada em determinados setores com maior potencial de impactos causados por cenários de crise, a exemplo do que as empresas tem sofrido com a pandemia gerada do coronavírus.

Assim como o impacto observado nas empresas farmacêuticas, um ponto não menos importante é que ambos os setores façam uso de contratos futuros para proteção (hedge) de seus investimentos como forma de reduzir os possíveis impactos causados pela supervalorização do dólar americano. Como a grande maioria das empresas impactadas pelo isolamento e lockdown, o setor farmacêutico e químico deverão avaliar a revisão do seu modelo de produção e cadeia logística a fim de incorporar alternativas factíveis em tempo hábil a custo justificável que permita uma projeção de receita e crescimento de vendas sustentável.

Uma recente matéria publicada no jornal diário americano, The Washington Post (capturado em https://www.washingtonpost.com/business/2020/07/28/kodak-produce-pharmaceutical-ingredients/) ilustra como os governos estão lidando com este problema. Com o objetivo de reduzir a dependência americana de insumos farmacêuticos e químicos provenientes da China, o governo Trump liberou em 28/07/2020 um empréstimo de cerca de 765 milhões de dólares à Kodak Farmacêutica com o objetivo claro e direto de obter produção em larga escala de química fina (base da indústria farmacêutica).

Portanto, os autores buscaram verificar o impacto desta pandemia em dois importantes e sinérgicos setores da economia brasileira: farmacêutico e químico. Verificou-se através das análises financeiras e revisões de publicações em revistas especializadas o grau de dependência de fornecimento de insumos básicos de países externos. Dessa forma, os autores consideram que caberia ao governo federal buscar estrategicamente assegurar a estabilidade de fornecimento de insumos que são base de cadeia produtiva para melhor atender à uma gama de produtos da área da saúde, sejam eles farmacêuticos ou químicos.

Buscando alternativas para uma menor dependência da China, o governo brasileiro juntamente com as empresas do setor poderiam igualmente iniciar um plano para desenvolver a produção de química fina no país e desta forma não somente contribuir para o desenvolvimento do setor, alavancar empregos na região e oferecer uma rota logística estratégica aos países situados na América do Norte, Europa e África. Este tema poderia ser tema para futuros estudos, dado a amplitude do impacto estratégico na vida de todos os brasileiros.

Mini-Currrículos

Rodolfo Leandro de Faria Olivo é PhD em administração pela FEA-USP e professor de finanças, economia e empreendedorismo pela FIA- Fundação Instituto de Administração

Regis Teixeira, graduado em Administração de Empresas na Universidade Federal de Itajubá, possui MBA pela FIA-Fundação Instituo de Administração, e atualmente é mestrando da mesma instituição. Atua há mais de 15 aos no mercado farmacêutico, e desde 2014 como executivo líder da área de marketing.

Peterson Max, graduado em Engenheiro de Produção pela Universidade Federal Fluminense (UFF), cursando o MBA Executivo Internacional pela FIA – Fundação Instituto de Administração, fundador e CEO da VMAX SYSTEMS, empresa de consultoria que atua na implementação de sistemas de gestão (ERP) e outras soluções corporativas.

Miguel Figueiredo possui MBA pela Universidade Mackenzie, cursando o MBA Executivo Internacional pela FIA – Fundação Instituro de Administracão e atua a mais de 20 anos atuando em empresas de tecnologia, desde 2007 atuando na SAP Brasil e desde 2012 como executivo de vendas em plataforma e tecnologia.

REFERÊNCIAS

BANCO CENTRAL – COTAÇÃO DO DOLAR acessado no site: https://www4.bcb.gov.br/pec/taxas/port/ptaxnpesq.asp?frame=1

Beta Europa: http://www.stern.nyu.edu/~adamodar/pc/datasets/betaEurope.xls

BASF Stock Chart: https://www.basf.com/global/en/investors/share-and-adrs/share-overview/stock-chart.html

CMED – Portal CMED acessado em http://portal.anvisa.gov.br/cmed

CDPI – CENTRO DE DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL INDUSTRIAL capturado em: https://www.cdpipharma.com.br/post/indústrias-farmacêuticas-brasileiras-terão-dificuldades-no-pós-pandemia

DIAS,L., SANTOS, M., PINTO, C. Regulação contemporânea de preços de medicamentos no Brasil – uma análise crítica. Em Saúde em Debate, SCIELO, 2019.

NEXO JORNAL, 2020 acessado em https://www.nexojornal.com.br/grafico/2020/05/20/A-cota%C3%A7%C3%A3o-do-d%C3%B3lar-historicamente-e-durante-a-pandemia

Saúde Business, acessado em https://saudebusiness.com/mercado/medicamentos-90-dos-principios-ativos-vem-da-india-e-china/

SINDUSFARMA – RELATORIO SEMANAL acessado em https://sindusfarma.org.br/

The Washington Post – Kodak to produce pharmaceutical ingredients with U.S. government loan. (acessado em https://www.washingtonpost.com/business/2020/07/28/kodak-produce-pharmaceutical-ingredients/)

Zona do Euro – Decisão da Taxa de Juros: https://br.investing.com/economic-calendar/interest-rate-decision-164

FONTE: https://administradores.com.br/artigos/os-impactos-causados-pela-covid-19-na-ind%C3%BAstria-qu%C3%ADmica-e-farmac%C3%AAutica