Estão dizendo que do dia para a noite a crise do coronavírus transformou Luiza Helena Trajano na mulher mais rica do Brasil. Mas não foi bem assim

Li agora há pouco uma manchete que dizia mais ou menos assim: “Efeito Amazon transforma Luiza Helena Trajano na mulher mais rica do Brasil”. Dentro, explicam: o coronavírus nos colocou em quarentena e passamos a preferir as compras online, fenômeno que provocou a supervalorização das ações do Magazine Luiza (que quase triplicaram de março até aqui), inflando assim a fortuna de sua manda-chuva. É verdade. Mas olhando só para essa ponta do iceberg parece passe de mágica. E não foi, obviamente.

A pandemia virou os mercados de cabeça para baixo e pegou quase todo mundo de surpresa. Eu disse quase porque sempre existem no mundo aqueles que se preparam para o pior. E dentro desse grupo tem os que se preparam do jeito certo, como foi o caso do Magazine Luiza.

Todas as empresas com perfil semelhante ao do Magalu entraram em apuros quando as medidas de restrição foram impostas. Boa parte delas segue em desespero. E Luiza talvez estivesse arrancando os cabelos junto com os colegas de mercado se não tivesse feito o dever de casa. Afinal, mais de 50% de seus resultados ainda vinha das lojas físicas. Mas, como eu falei, o Magalu estava pronto para quando o pior acontecesse.

A título de comparação, olhemos para a Via Varejo, dona das Casas Bahia. Em 2011, a revista Exame dizia nesta matéria“[…] há uma diferença abissal entre as duas empresas — em vendas, é preciso juntar mais do que seis magazines Luiza para formar uma Casas Bahia.” É nesta hora que Luiza manda um “A vida dá voltas!”

A Via Varejo anda mal das pernas há um tempo e, enquanto o Magazine Luiza anuncia ter caixa para manter as lojas fechadas por dois anos, a concorrente fez um follow-on (lançamento de mais ações em bolsa) com o objetivo de se capitalizar para investir em tecnologia e logística, além de reforçar a estrutura de capital. Agora, no meio da crise. Assim, em cima da hora, fica complicado.

O Magalu vem investindo na digitalização do negócio há anos. De um lado, montou uma estrutura logística robusta, que une centros de distribuição e lojas físicas que funcionam também como depósitos. De outro, criou um centro de inovação (o LuizaLabs), adquiriu startups que agregaram expertise e mão de obra valiosa a seus projetos de tecnologia e construiu uma presença sólida e extremamente orgânica no digital. Certamente você conhece a Lu, persona digital da empresa. Será que sabe dizer o nome do avatar usado pelas outras companhias do setor?

Enfim, é verdade que o Magazine Luiza está colhendo bons frutos do cenário atual. Mas só colhe quem planta. A crise obrigou todas as empresas a acelerarem suas presenças digitais. Chegou mais rápido quem já havia largado na frente.

A propósito, há um mês Luiza Helena Trajano foi uma das convidadas da série de lives realizadas pelo Administradores no Instagram. A íntegra está disponível no nosso canal no Youtube e você pode assistir logo abaixo. Aproveitem e inscrevam-se por lá, quem tem muita entrevista boa e também algumas aulas gratuitas!

fonte:
https://administradores.com.br/artigos/n%C3%A3o-foi-o-efeito-amazon