Vimos intensivas medidas por parte dos Governos, Federal, Estadual e Municipal. Falando especificamente das medidas econômicas, financeiras e tributárias para empresas tivemos muitas. Mas algo realmente ajudou sua empresa?

Os últimos dois meses não tem sido fáceis para as pessoas no mundo e creio que todos estão aflitos e acompanhando os acontecimentos diários referente a pandemia da Covid-19.

O fato é que tal movimento proporcionou intensivas medidas por parte dos Governos, Federal, Estadual e Municipal. Falando especificamente das medidas econômicas, financeiras e tributárias para empresas tivemos muitas. O mês de Março foi de muitas publicações nos Diários Oficiais. Mas na prática qual realmente funcionou?

Muito se falou na liberação de créditos na casa de milhões, bilhões, mas esse dinheiro realmente tem chegou nas empresas?

Estamos na linha de frente fornecendo soluções contábeis, fiscais e financeira para nossos clientes e parceiros. Nesse momento tão difícil o contador acaba sendo um dos maiores parceiros, tendo que estar atendo às mudanças constantes da legislação e ainda apoiar os clientes em decisões de financiamentos e impostos.

Foram “Liberados” bilhões para ajudar as empresas, mas o que realmente percebemos (na prática) com essas medidas todas?

Vou listar primeiro na minha opinião o que não está dando certo e não surtiu real efeito. Na verdade em alguns casos o efeito foi até muito negativo.

Não deu certo:

1. Pausa de até duas prestações nos financiamentos da Caixa Econômica Federal (Fluxo de Caixa)

Infelizmente a Caixa e demais bancos cobram juros pela pausa, juros altos inclusive. Não somente a Caixa, como todos os grandes bancos, tanto na Pessoa Física como na Pessoa Jurídica, todos cobram juros além do que deveria.

Mas não deveria ser um momento de ajuda? Eu também acho, mas falando em banco você acreditou mesmo que iriam pausar 2 meses de Financiamentos sem cobrar nada de Juros em cima? Em uma simulação do Santander, pessoal que fiz, a pausa do Financiamento em 2 meses aumentaria tanto o financiamento que eu teria que pagar 5 parcelas para poder cobrir o saldo devedor gerado + Juros. Preste muita atenção se você fez esse pedido, revise o saldo devedor e recorra com o seu banco se for o caso.

2. Carência de até 90 dias para novas contratações de crédito comercial com a Caixa (Fluxo de Caixa)

Se você estiver disposto a pagar altos juros pela carência, siga adiante.

3. Linha de crédito da Caixa e Sebrae para capital de giro com garantias a pequenos negócios (Crédito)

Mais burocracia do que resultado. Uma taxa relativamente mais alta do que o normal (anterior ao Covid-19). Valores a partir de 1,19% a.m., dependendo do faturamento + Envolvimento do Sebrae com uma taxa.

4. Dispensa de exigências de empresas para facilitar o acesso a crédito (Crédito)

Na prática continuam formulários gigantescos e muita solicitação de documento durante o processo. Você recebe uma lista de documentos para conseguir o crédito, separa e envia. Mas vem novas solicitações e nisso você demora mais para conseguir o crédito, caso realmente consiga.

5. Linhas de crédito em condições especiais (Crédito)

Em Santa Catarina tivemos as seguintes linhas:

Badesc – 0,3% a.m – Esgotada em pouco tempo. Limitado a R$150 mil e com garantias.

BRDE Recupera Sul– 0.74% a.m – Extremamente burocrático, envolve Sebrae + Atendimento Sebrae + 1 Consultor Sebrae + BRDE e um monte de formulários novos a cada etapa. Limitado a R$200 mil e com garantias.

BNDES (Via Bancos)- Podem variar de acordo com banco, mas ficam entre 13% a.a. à 15.30% a.a.

Cada banco apresenta sua regra, mas não aparentam taxas atrativas para as empresas

Em Santa Catarina a linha emergencial do Badesc realmente era bem atrativa, mas esgotou de forma instantânea e solicitava garantias, foram 3.600 pedidos e não há previsão de novas liberações. Fora isso os Bancos não possuem nenhuma linha atrativa, apenas via BNDES mas com taxas entre 13 e 15% ao ano, dependendo do valor e do seu banco.

Deu certo:

1. Parcelamento do FGTS e INSS (Fluxo de Caixa)

Foi prorrogado o recolhimento das parcelas do FGTS pelos empregadores, com vencimento em abril, maio e junho, passando para outubro, novembro e dezembro, respectivamente, sem multa, juros ou qualquer reajuste, a serem quitadas em até seis parcelas mensais.

O INSS de Março e Abril também foi prorrogado para Agosto e Outubro.

2. Prorrogação do Simples Nacional (Fluxo de Caixa)

As empresas do Simples Nacional poderão recolher os impostos federais correspondentes aos meses de abril, maio junho nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2020.

3. Redução da jornada de trabalho e Suspensão do contrato de trabalho (Trabalhista)

Certamente é algo difícil para todos essa decisão, mas foi importante para a manutenção dos empregos.

4. Teletrabalho, antecipação de férias individuais e coletivas, banco de horas, aproveitamento e antecipação de feriados (Trabalhista)

A flexibilização de algumas regras trabalhistas facilitou as empresas nessa mudança rápida de ter que mudar as estações de trabalho para dentro das casas dos funcionários.

5. Linha emergencial de crédito para folha de pagamentos (Financeiro)

Tem um limite, mas foi a única linha de crédito que realmente ofereceu boa taxa e ajuda para as empresas e ainda garante uma estabilidade ao funcionário. O financiamento pode ser pago em 36 meses, com carência de 6 meses e 30 parcelas, taxa de juros de 3,75% a.a e com o depósito dos recursos diretamente nas contas dos empregados. Em contrapartida, a empresa não poderá demitir sem justa causa por 60 dias, a contar da data da contratação da linha de crédito.

6. Prorrogação PIS e COFINS (Fluxo de Caixa)

Altera a Portaria ME nº 139, de 3 de abril de 2020, que prorroga o prazo para o recolhimento de tributos federais, na situação que especifica em decorrência da pandemia relacionada ao Coronavírus. Em resumo as competências de Março e Abril poderão ser pagas em Setembro e Outubro.

O que faltou?

Percebe-se que muito se anunciou pelo Governo e pela Mídia das medidas trabalhistas, econômicas e financeiras para apoio a empresas e manunteção do trabalho diante a pandemia.

No entanto na prática, pouco se chegou nas micro, médias e pequenas empresas do Brasil. As medidas anunciadas de melhores efeitos são exclusivamente para Fluxo de Caixa. Ou seja, o Governo deixa de receber agora para lhe cobrar depois.

Os Créditos liberados estão com taxas até maiores que linhas anteriores ao Covid-19. Alguns bancos inclusive exigem mais garantias do que exigiam antes.

Ou seja, pelo menos do meu ponto de vista, que acompanho de perto o andamento das empresas não vi uma ajuda efetiva, um crédito que pudesse suportar as empresas nesse momento tão delicado e difícil também para a economia.

Faltou também os Bancos se solidarizar com a crise e baixar os juros que cobram. Faltou dos Bancos flexibilizar o fluxo de captação desses recursos. Faltou ajuda efetiva do Governo além de medidas de prorrogações e fôlego de caixa.

Ou esse dinheiro está parado na mão dos grandes bancos ou ele será direcionado apenas a grandes corporações. Ou talvez os bancos usem esses valores para te oferecer crédito para comprar carros, ou financiar outros bens móveis que te fazem perder dinheiro.

Mas cabe lembrar que as Micro, Médias e Pequenas empresas são responsáveis pela geração de grande parte do PIB do Brasil. Segundo uma pesquisa do Sebrae as atividades de Comércio e Serviços (juntas respondem por 23% dos 30% do PIB).

Mas então o que fazer?

Nesse momento delicado o mais importante é se apoiar em 3 pilares:

1. Sua equipe

2. Seus clientes

3. Seus fornecedores

Não deposite todas as suas expectativas em bancos e governo. Isso pode te frustrar e fazer fazer você esquecer do seu grande sonho, da sua vontade de contribuir para o mundo e mudar as coisas através do empreendedorismo.

Se quiser conferir as demais medidas do Governo veja no link abaixo:

https://www.gov.br/economia/pt-br/acesso-a-informacao/perguntas-frequentes/covid-19

Confie na sua ideia e reinvente a forma de fazer negócios. Cuide do seu caixa e organize seu fluxo de caixa futuro para poder atravessar esse momento, com saúde física e financeira.

fonte:
https://administradores.com.br/artigos/as-medidas-do-governo-realmente-bateram-na-porta-da-sua-empresa